AVISO: As opinioes expressas neste diario saum,
muitas vezes, violentas, egocentricas, arrogantes e
ofensivas. Elas saum fruto do meu pensamento, em sua
forma naum pasteurizada. Saum minha visaum da realidade.
Se voce se opoe a esse molde de expressao genuino, sugiro
que pare de ler agora mesmo e vah para um
lugar mais apropriado .
Sábado, Julho 10
Segunda-feira, Julho 5
Reflexão sobre o limbo
À forma falta o conteúdo, e ao conteúdo falta a forma. Dessa triste desincronia, dessa dança atrapalhada, nasce uma parte considerável da minha decepção. Decepção pelo que exatamente? Não sei dizer... Ocorre apenas que me desaponto toda vez que vejo um rosto lindo confessar uma alma vazia. A confissão não é óbvia, tampouco certa. É preciso prestar atenção. Olhar fixamente... (em tempo: não estou falando de ninguém em particular).
E esses rostos se multiplicam, cada vez mais. É até mesmo possível que nenhum de nós se salve. Quem sabe um dia eu acorde, perplexo por estar em meio a lunáticos e, repentinamente, me olhe no espelho e veja que também sou um deles. Me estaria, então, cofirmada a hipótese de que a vida é um teatro, mas com um diferencial: um teatro de fantoches.
E quem seria o mestre desse espetáculo ridículo? Óbviamente, não é um deus benevolente, pois tal coisa não existe. Fosse Deus benevolente, não haveria males no mundo. Pelo que deduzimos que ou o teatro é animado por si só, ou então, tremam, o comandante é ninguém menos que Satã, o Diabo, o príncipe das trevas, "aquele que a tudo nega".
Não podemos perder os próximos capítulos desta novela desgraçada. De fato, salvo um tiro na cabeça ou algo que o valha, realmente não podemos perder nenhum mísero capítulo...
Quinta-feira, Junho 24
Desalento
Somos todos inacabados teoremas
e nossas vidas, provas em andamento.
A pena de Deus despeja seus lemas
e o homem deriva seu desalento.
Quarta-feira, Junho 23
Delírio
Escombros. Corpos se amontoam. Tanto dos vivos quanto dos mortos - a diferença agora é pouca. Pela sua obra, sentimos a presença do inimigo. Não o vemos, mas sabemos que está lá.
Os que ainda agonizam lutam desesperadamente entre si por qualquer coisa comestível que se ponha no caminho. O tesouro mais valioso desta terra devastada é um pedaço de pão embolorado.
Passamos no meio deles, mas nos ignoram. Pertencemos a outro mundo, não há possibilidade de mútua compreensão. Espectros é o que somos para eles e eles para nós. Vultos insondáveis - nós por nossa altitude, eles por seus abismos.
Domingo, Junho 20
Uma demonstração maldita
Proposição: Esta será uma noite infeliz.
Demonstração:
Dado que está ocorrendo uma festa nesta noite, eu posso ir ou não ir. Se eu for, ficarei infeliz, por saber que deveria estar estudando para as provas desta semana. Se eu não for, ficarei infeliz por outros motivos (que não convém mencionar aqui).
Logo, não importa o que eu faça, esta será uma noite infeliz.
c.q.d.
Não é terrível poder demonstrar essas coisas? De qqr forma, escolhi passar minha infelicidade em casa mesmo...
Terça-feira, Junho 15
Nausea and Anguish
"Standing in front of the passage Gillet, I no longer know what to do. Isn't something waiting for me at the end of the passage? But in the place Ducoton, at the end of the rue Tournebride, there is also a certain thing which needs me in order to come to life. I am full of anguish: the slightest gesture engages me. I can't imagine what is required of me. Yet I must choose: I sacrifice the passage Gillet, I shall never know what it held for me."
- Nausea (English translation), Jean-Paul Sartre
Talvez a passagem tivesse sido melhor... talvez eu devesse ter ido por ela. Ah, esses existencialistas... eles realmente acreditam que nós podemos escolher nossas ações!
Esse é o tipo de crença que eu gostaria de poder evitar quando me dou conta de alguns equívocos irreparáveis... Mas não posso evitar. Se admito a minha liberdade, isto é, se admito alguma vaga possibilidade da vida ser mais do que um filme pré-computado, então é inevitável: a responsabilidade é minha. Se não toda, ao menos em parte. Do meu ponto de vista, o suficiente para eu me condenar.
Uma autocondenação dessa espécie, no entanto, não serve de muita coisa. Pois ela aponta para o passado, que é imutável. Por outro lado, não é de toda inútil - ninguém expõe seus dedos ao fogo mais de uma vez. Ninguém razoável...
Ainda estou aqui. Portanto, independentemente do passado, o futuro virá a existir. Algo precisa ser feito a respeito. Algo sempre precisa ser feito. Não fazer nada também é uma ação. Façamos algo então. Isn't something waiting for me at the end of the passage?
Sexta-feira, Junho 11
O absurdo
A realidade treme. Sob o vento existencial, as cascas dos objetos cintilam. Percebemos que se aproxima o tempo em que elas se quebrarão, revelando sua essência perturbadora. Nós devastamos o mundo... ao menos o nosso mundo. Geração após geração esse fato é redescoberto, essa destruição é refeita... Nietzsche, Sartre, Camus... e agora, agora é nossa vez.
Trata-se de uma devastação inevitável. A nossa natureza implica em sermos destruidores. Mas toda devastação exige uma reconstrução. É responsabilidade daquele que nega fazer novas afirmações.
Sabemos que, em última instância, nada importa. Assim, nos aproximamos perigosamente do niilismo. Não importa que estejamos vivos ou mortos. Não importa se o universo tem 13 bilhões ou 5 mil anos. A própria noção de importância desaparece nesse universo desprovido de propósito e de direção.
E, constatado esse vazio, é preciso fazer algo. Quando tudo gira, é preciso buscar uma estrela guia. Contudo, não há estrelas no nosso firmamento inumano - ele não passa de um vasto manto negro. A escuridão, imagino, é tudo que há além da esfera humana.
Então o que fazer? Abraçar firmemente os valores humanos, como um náufrago que se agarra com todas as suas forças à bóia que lhe garante a vida? Há outra saída?
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